quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sérgio - Atendendo a Pedidos


Se me pedissem para apontar uma origem para Sérgio, era capaz de dizer que seria provavelmente um nome russo. Não estaria certa, mas também não estaria totalmente errada. Embora a ligação não­­ nos pareça muito clara, ou pelo menos tão evidente como acontece com nomes como Júlio ou César, Sérgio é um nome característico do Império Romano!

Na Antiga Roma, Sergius era o nome de uma importante família romana, embora o nome tenha provavelmente origem etrusca. Também lhe é apontada a origem servus, em latim, que significa servo. Quando falamos em nome de família, estamos a falar da Gens, o que corresponderia atualmente aos nossos apelidos/sobrenomes. E assim sendo, Sérgio teria sido primeiramente um nome de família e só com o passar do tempo e com a popularidade adquirida se viria a tornar nome próprio muito comum em Itália.

Entre alguns Sérgios conhecidos da Antiguidade Romana estão Sergius Paulus, procônsul do Chipre, Marcus Sergius, o inventor da prótese da mão e São Sérgio, um oficial romano martirizado na Síria com o seu companheiro Bacchus. Mais tarde, foi o nome de quatro papas italianos, que estiveram à frente da Igreja católica entre o século VIII e o século XI, nunca mais tendo sido escolhido como nome papal doravante e talvez o tempo nos fez esquecer esta ligação, daí que dizer que Sérgio é nome de Papa possa causar estranheza às pessoas. Muito comum entre a realeza e aristocracia italiana, Sérgio foi também o nome de quatro Duques de Nápoles, que reinaram entre os séculos IX e XII, e de três Duques de Amalfi que governaram este território italiano entre o século X e XI. No século XIV, na Rússia, onde o nome já começava a ser comum, surge Sergei Radonejski um revolucionário líder espiritual que se tornou o padroeiro oficial do seu país, daí a grande tradição de uso deste nome masculino na população russa.

Em Portugal, o nome Sérgio nunca teve grandes adeptos ao longo dos séculos. Inclusive, no abrir do século XX, no ano de 1920, Sérgio era apreciado por tão poucas pessoas que apenas nasceram 9 rapazes com este nome. Estranhamente, a partir de 1946, Sérgio ultrapassa pela primeira vez a fasquia dos 100 registos anuais e continuou a subir desenfreadamente até à segunda metade da década de 70, onde no ano de 1976 atinge o número recorde de 2059 registos! Sem ter certezas, arrisco-me a dizer que nesse ano Sérgio deve ter ocupado o top 5 português dos nomes masculinos mais utilizados a nível nacional! No entanto, a partir de então, o nome foi esfriando, não tornando a ter o brilho das décadas de 70 e 80. Dizemos que este tipo de fenómeno – crescimento muito rápido de registos, seguido de uma perda de interesse substancial – torna um nome datado, isto é, referente a uma década em particular, daí que as gerações seguintes sejam vistas como tendo um nome que já não se encontra na moda ou que se encontra ultrapassado. O mesmo aconteceu no Brasil no mesmo espaço temporal.

Ainda assim, apesar de não se encontrar atualmente no top 100 brasileiro, em Portugal, em 2014 nasceram 41 meninos Sérgio, o que o coloca como o 85º nome masculino mais utilizado no país. Além destes 41 meninos, foram utilizados alguns compostos, sendo os mais comuns Sérgio Daniel, Rafael Sérgio, Sérgio Filipe, Sérgio Alexandre, Paulo Sérgio e Sérgio Miguel. Claramente, vemos uma tendência para combinar Sérgio com outros nomes que são considerados clássicos contemporâneos.

Algumas referências atuais com este nome em Portugal e no Brasil:
  • Sérgio “Serginho” Dutra Santos, jogador de vólei brasileiro, medalhado olímpico;
  • Sérgio Borges, músico português, vencedor do Festival da Canção de 1970;
  • Sérgio Buarque de Hollanda, historiador brasileiro;
  • Sérgio Cardoso, ator brasileiro;
  • Sérgio Chapelin, jornalista brasileiro;
  • Sérgio Conceição, treinador de futebol português;
  • Sérgio Godinho, músico e poeta português;
  • Sérgio “Serginho” Groisman, apresentador de televisão brasileiro;
  • Sérgio Hondjakoff, ator brasileiro;
  • Sérgio Malheiros, ator brasileiro;
  • Sérgio “Serginho” Mallandro, apresentador de televisão, humorista e ator brasileiro;
  • Sérgio Marone, ator brasileiro;
  • Sérgio Mendes, músico brasileiro, que compôs a famosa canção “Mas que nada”;
  • Sérgio Niza, pedagogo português;
  • Sérgio Oliveira, jogador de futebol português;
  • Sérgio Reis, músico brasileiro;
  • Sérgio Rosado, músico português e membro do grupo musical Anjos.


Apesar de já não ser um nome muito usado e de ter ficado associado a uma geração específica, temos um legado de Sérgio nos nossos países, dos quais nos devemos orgulhar. Não sei se Sérgio alguma vez tornará a ganhar a força de outrora, mas se tal acontecer será num futuro distante. Isto não invalida de forma alguma o nome e se é uma opção sua para um filho a nascer em 2015 ou em diante, tenha confiança na sua escolha e procure um nome com uma vibração mais moderna para equilibrar bem o composto. Um Sérgio Vicente poderia ser uma opção, por exemplo.

Joana Recharte.

Conseguiriam utilizar Sérgio num filho?

4 comentários:

  1. Adorei o texto Joana.
    Eu não usaria porque não é o meu estilo, mas acho um bom nome. Considero um clássico até. Por acaso conheço um jovem Sérgio, e gostei do composto Sérgio Vicente.

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  2. Ótimo texto, passei até a ver o nome Sérgio com mais simpatia. Pra mim sempre foi um nome meio rígido, sem leveza, sério( Sérgio/sério), mas é um nome q tem o seu valor. Nunca me dei conta de q tantas figuras públicas brasileiras( e vejo q portuguesas tb) são assim nomeadas. Desconhecia e história do nome Sérgio e gostei muito de conhece-la!

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  3. Gosto, mas acho um pouco datado.

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